segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Jogou-se em Londres

Há alturas em que o tempo esgota e o blogue, infelizmente, passa para segundo plano por mais temas interessantes que tenhamos para dar à lingua, aliás, à tecla.
Há outras alturas em que temos muito tempo mas as teclas ficam perras ou a imaginação anda descontrolada.
Há outras ainda em que mesmo não havendo tempo, ou havendo teclas perras, há um motivo de força maior que não aguenta mais e tem que vir ao de cima, como a verdade.
Hoje há um tema desses que não pode esperar muito mais tempo sob pena de haver muito mais para contar e o post ser o dobro deste.
Há uns meses uma amiga minha veio ter comigo e disse-me: "Não tenho certezas mas acho que vou para Londres uns meses enquanto chega a altura do Doutoramento".
Ora, qual a minha resposta pronta? "Joga-te logo em Londres, garota!"

Daí a entrar no avião, foi uma questão de semanas.

A aventura da J. começou há meio mês. 
E há mais ou menos dois meses, desde que me começou com a conversa de Londres, que o meu orgulho por ela cresceu ainda mais. 
Esta amiga é daquelas que sabe o que quer, que tem resposta pronta e não se atrasa nos passos em frente.
E este é só mais um exemplo dos muitos que já conto. PodIa estar em Portugal, segura na casa dos papás, com sopas e descanso, comigo a chatear-lhe a cabeça, à procura de um trabalho (um desses que dá para desenrascar a malta por uns tempos), com o namorado e os amigos, com a vida descansada de quem acorda tarde e espera por respostas. Podia. Mas não é gente de "podia ser" esta que eu conheço.
Deixou tudo para trás e foi passar uns meses para Londres, à procura de um trabalho, de um quarto e de uma cidade de braços abertos para a receber.
Não foi isso que encontrou. A cidade sentou-se de braços cruzados à espera da J., à espera que esta fosse só mais uma turisa de passagem. Mas a J. trocou-lhe as voltas.
Um primeiro traballho que não resultou, umas quantas tentativas falhadas na procura de quarto, uns trocos gastos a mais, receios e hesitações por aqui e po ali mas o cenário moldou-se e a nossa pequena está agora a viver no seu quarto Keep Calm em Londres, com um emprego não tão Keep Calm mas que preenche os objectivos a que se propôs (recebe, come à borla e pratica/desenvolve o inglês).

A viagem de regresso podia estar para breve mas parece que Londres está agora a abraçar a persistência da J. 
Continue que ainda faltam uns meses para o Doutoramento começar. Até lá, a J. vai servir uns cafés com a alegria de quem bebe bicas por cá, vai passear como quem sai ao Domingo e falar Inglês com o british accent que se quer.


A aventura da J. tem sido acompanhada não só por mim mas por todos aqueles que visitam a página  without knowing the way. Acredito que para além de ser uma excelente oportunidade de conhecer uns prós e contras da cidade, será uma lufada de ar fresco para quem anda desmotivado e/ou com vontade de se "jogar" como a J. numa "brincadeira" (séria) destas. Visitem.

Imaginam o orgulho que é ter uma amiga que larga tudo, namorado, família, a comida portuguesa, Tomar e uma amiga maravilhosa como eu para ir para Londres passar uns meses sozinha?!
: )


Ela "jogou-se" em Londres. "Jogou-se" de tal forma que até eu me vou jogar daqui a umas semanas para lá como turista penetra.

Oh yeah.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Sou dos revolucionários"

Hoje recebemos uma visita ilustre no Gabinete. Com os seus muitos e muitos anos (90's, creio) o professor Raimundo Vicente, da "equipa" dos mais velhos astrónomos Portugueses, chegou com o seu ar alegre apresentando-se como sendo o "professor das palavras feias": "Sou o professor das palavras feias, daquelas que niguém gosta de utilizar. Falo português. Digo bicha quando estou atrás de pesssoas para almoçar. Digo com licença e se faz favor. Digo senha e não password. Sou o professor que muitos não gostam... Dei 7 vezes a volta ao mundo. Vivi lá fora, vi o que se faz e como se vive lá fora. Não ando para trás, se tomei o pequeno almoço, almoço e jantar no japão, hei-de tomar as mesmas refeições no país da frente. Fui convidado para falar sobre a minha área em muitos países. Sabe qual foi o único em que não fui convidado? O meu. Se pudesse, amarrava os nossos políticos com uma corda, colocova uma pedra a acompanhar e atirava-os ao rio. Não gastava energia, já viu? O único problema é que nem para alimento das espécies serviriam de tão indegestos que são.... Tenho muitas histórias da carochinha para contar, muitas... Mas aqui, ninguém as quer ouvir". Ganhei o dia. Agradeci-lhe o facto de me ter embalado com as suas histórias da carochinha. Não sei se o voltarei a ver mas sei que o ouvi e que presenciei a sua sabedoria. Chega-me. Numa altura em que as "pessoas" (essas) do meu País me desiludem a cada dia que passa, encantam-me essas pessoas (estas!) de um País que já o soube ser: País.
"Sou dos revolucionários", dizia.
 
 



 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

#Bold 4 - Sr. Doutor


Confesso que não sou fã da Senhora Doutora Isabel Stilwell desde o episódio infeliz da crónica "Parva da Geração Parva". Mas, como não sou "parva" e sou desta geração, sei apreciar um bom texto quando nele há bom assunto. E este é o caso.
Somos um País de Doutores. Doutores disto e daquilo e é o que se vê.
Que andemos infelizes com a crise, os problemas lá de casa ou o que quer que seja mas se, por algum motivo, do outro lado do telefone ou no destinatário da carta seguir  a conjugação "Dr.", a auto-estima cresce uns pontos e a malta até sorri de esguelha. E se for presencialmente o assunto muda de figura, enchem-se os pulmões de ar e arrebita-se o peito.
Vivemos de mais de aparências, ou lá se vivemos... E enquanto uns e outros "se apelidam", o rumo é este.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Perigo da Hesitação Prolongada

"Toda a gente há-de ter notado o gosto que têm os gatos de parar e andar a passear entre os dois batentes de uma porta entreaberta. Quem há aí que não tenha dito a algum gato: «Vamos! Entras ou não entras?» Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura. Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos".

Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Amor a Metro - "O Amor jamais passará"

Entre os que passam, os que ficam, os que trocam de paragem e os que mudam de estação. Entre os que correm soltos pela melancolia dos dias e os que caminham pelo êxtase do momento. Entre os que mudam de rumo, os que traçam caminhos e fazem caminhadas...

...Entre os que fazem greve, os que trocam as horas e mudam os dias. Entre os muitos e os poucos. Entre os rápidos e os vagarosos. Entre os mudos e as línguas soltas.

Haverá, sempre, um que fica.

Quem sabe,  o Amor a Metro...

E o amor... "O amor jamais passará".






Obrigada, querida Ana, pela inspiração ("O amor jamais passará").