Entre os que passam, os que ficam, os que trocam de paragem e os que mudam de estação. Entre os que correm soltos pela melancolia dos dias e os que caminham pelo êxtase do momento. Entre os que mudam de rumo, os que traçam caminhos e fazem caminhadas...
...Entre os que fazem greve, os que trocam as horas e mudam os dias. Entre os muitos e os poucos. Entre os rápidos e os vagarosos. Entre os mudos e as línguas soltas.
Haverá, sempre, um que fica.
Quem sabe, o Amor a Metro...
E o amor... "O amor jamais passará".
Obrigada, querida Ana, pela inspiração ("O amor jamais passará").
Há já algum tempo que conheço o fantástico trabalho de Vahram Muratyan. Uma visita ao blogue http://parisvsnyc.blogspot.pt/, por mero acaso, fez com que ficasse viciada nestas inteligentes e criativas comparações icónicas entre Paris e New York.
esclarece Vahram Muratyan, o criador: "Un match visuel amical entre ces deux villes, c'est le regard d'un amoureux de Paris sur un New York rempli de détails, de clichés et de contradictions : suivez le guide.
A friendly visual match between two cities told by a lover of Paris wandering through NewYork.Details, clichés, contradictions : This way, please."
Não há desculpas. Voltei ao mundo real e ainda não consegui vir até aqui partilhar umas quantas coisas giras ... Ora, está para breve.
Btw, lembram-me da moda dos mini-pigs de que vos falei em tempos? Pois bem, confirma-se! Eis uma amostra do que encontrei por Lisboa... O Manchas. Modernices!
"Foi no dia seguinte ao primeiro voo transatlântico sem paragens, entre Nova Iorque e Paris, realizado pelo aviador Charles Lindbergh, carinhosamente conhecido pelos americanos como Lindy pelas suas façanhas aéreas, que um repórter terá ido ao Savoy fazer uma reportagem sobre esta dança. Na manhã desse dia os títulos dos jornais anunciavam a travessia. Um deles diria algo como "Lindy Hops the Atlantic". Quando este repórter perguntou a um dos dançarinos o que ele estava a fazer, nessa noite, este terá respondido: I'm doing the Lindy Hop"
Há poucos dias andava a passear pela blogosfera e eis que encontrei algo que me fez ficar bastante curiosa: o Lindy Hop e os Lindy Hoppers. Decidi que não devia guardar esta grande descoberta só para mim e aqui está uma amostra do que é este movimento. (Sim, uma amostra porque para sentir e perceber do que falamos só mesmo experimentando!)
E, afinal, do que falo?
Falo-vos de uma relíquia cultural nos tempos que correm! Swing, Groove, Convívio e Alegria. Poderíamos começar por apresentar o movimento "Lindy Hop" por aqui e acrescentar que quem faz parte do movimento, os "Lindy Hoppers", são verdadeiros bailarinos da boa disposição.
Quebram rotinas com a música e a dança e convidam os citadinos a viajar com ritmo pelos anos 20/30/40 ou até pelos musicais que tantos trazem na memória.
Entrem com groove e swing nesta entrevista, ouçam as músicas, vejam o vídeo, fiquem a conhecer o movimento e não deixem de experimentar!
Também há lugar para os do género "pés de chumbo" e se não houver par, a música encarrega-se de os encaixar, por isso, não se acanhem e dancem, dancem e divirtam-se!
Para mais informações consultem o Facebook e o blogue oficial do movimento.
Obrigada aos Lindy Hoppers e aos membros David Afonso e Paulo Rodrigues!
JustBecause: Para quem nunca ouviu falar, o que é o Lindy
Hop e quem são os Lindy Hoppers?
Paulo Rodrigues (Lindy Hopper) (PR LH): O Lindy Hop é o que se dançava no
Harlem desde o final dos anos 20 até aos anos 30, e depois se espalhou pela América
até esta se juntar à II Guerra Mundial. Era um período caracterizado pela
música swing, uma música sincopada,
com influências do ragtime, e que tem
um groove cheio de movimento, que nos
faz logo bater o pé - e, para os mais irrequietos, os pés começam logo a
dançar, mesmo sem se dar por isso!
A dança é social, dançada a par, com muitas influências do jazz (vintage, não
da versão moderna), do sapateado, do Charleston
(que teve um boom na América nos anos 20), e de outras danças da época.
Na altura dançava-se ao som de música ao vivo porque ainda havia poucas
gravações e era comum no Savoy, um
dos maiores salões de dança que ocupava um quarteirão inteiro do Harlem, estar mais que uma orquestra de swing (costumamos chamá-las de Big
Bands) em rotação, para a música não parar. Mal uma terminava uma música
começava logo a outra a tocar.
Os Lindy Hoppers são os dançarinos de
Lindy Hop. Também foram conhecidos
por Jitterbugs, Swing dancers, entre outras coisas.
O termo Lindy Hop tem uma curiosidade
associada: foi no dia seguinte ao primeiro voo transatlântico sem paragens,
entre Nova Iorque e Paris, realizado pelo aviador Charles Lindbergh, carinhosamente conhecido pelos americanos como Lindy pelas suas façanhas aéreas, que um
repórter terá ido ao Savoy fazer uma
reportagem sobre esta dança. Na manhã desse dia os títulos dos jornais
anunciavam a travessia. Um deles diria algo como "Lindy Hops the Atlantic". Quando este repórter perguntou
a um dos dançarinos o que ele estava a fazer, nessa noite, este terá
respondido: I'm doing the Lindy Hop.
JB: O Lindy Hop remete para os ritmos
dos anos 30. Como nasce/renasce o movimento em pleno séc. XXI em Portugal?
PR LH: A dança "morreu" com a Guerra. Depois desta a música mudou,
passaram-se a usar bandas mais pequenas, disseminou-se também os discos, pelo
que mudando a música a dança também terá evoluído para outras formas.
Nos anos 80 uns suecos descobriram a dança vendo filmes antigos e resolveram
procurar os dançarinos originais, penso que do filme Hellzapoppins (mas posso estar engando). Seja como for,
voaram até aos EUA e encontraram Frankie
Manning, que se tornara carteiro e não dançava há décadas. Convenceram-no a
ensiná-los e, aos poucos, a dança foi sendo redescoberta.
Em Portugal a dança surgiu pela mão da Abeth
Farag, uma californiana que a aprendeu quando era adolescente. Ela
estava a viver no Porto, ensinando inglês, e resolveu começar a ter aulas de
sapateado. Ouvindo a música, e por ser música muito coincidente com a música do
Lindy Hop, foi-se relembrando da
dança e terá sentido saudades de a dançar. Então resolveu ensiná-la às colegas
do sapateado, por brincadeira, que foram chamando amigos e mais amigas e aos
poucos formou-se um grupo que queria aprender esta dança.
Em Lisboa não sei bem como aconteceu. A Abeth foi convencida por um grupo de rockabillies, que queriam aprender
alguns passos, a vir uma vez por semana, aos domingos à tarde. Desse grupo
original não resta ninguém nas aulas, mas ainda há alguns que vêm às festas e
dançam, um misto de rock'n roll, jive,
lindy hop.
JB: Para que os leitores possam ter noção mais próxima do que estamos a falar,
que tipo de músicas (familiares ao público) se ouvem e dançam? Glenn Miller, Duke Ellington, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald são dos mais
conhecidos, mas há muitos outros!
JB: Para quem quiser conhecer o movimento há aulas e também práticas, correcto?
Como funcionam?
PR LH: Há aulas regulares, 1x por semana. Começarão lá para Setembro, mas ainda não há
datas anunciadas.
As práticas são os próprios alunos que vão organizando, combinando horas e
locais. Normalmente tentamos ir para o coreto do Jardim da Estrela, mas quando
não conseguimos (por estar ocupado com outros eventos) tentamos ir para o Largo
do Carmo, ou até outros locais.
São abertas a toda a gente, o que quer dizer que se alguém quiser ver como é ou
experimentar alguns passos mais simples pode começar por ir a uma prática. Para
aprender mais passos já precisará de ganhar alguma técnica, e aí o melhor é
começar a ter aulas.
JB: Onde dançam e convidam a dançar?
PR LH: No coreto do Jardim da Estrela, ou no Largo do Carmo. As festas têm sido em
vários locais: começaram pelo STEPS, mas já fomos ao Bacalhoeiro, ao Infusão
(uma crêperie), à ZDB. E em Junho tivemos o primeiro mini-festival de Lindy Hop em Lisboa - já aconteceram
outros no Porto, onde há mais praticantes , com festas no Teatro do Bairro,
Teatro Cornucópia e na ZDB.
JB: Lisboa gosta de dar um pezinho de dança? Os Lisboetas mostram-se
interessados e curiosos quanto à Iniciativa?
PR LH: Muito! Há sempre alguém que pára para nos ver, às vezes até aplaudir - nós até
nos rimos às vezes porque não é nossa intenção criar um espectáculo, mas apenas
dançar socialmente, e alguns dos curiosos já têm entrado nas aulas e pertencem
agora à comunidade.
JB: E é preciso levar par ou a música encarrega-se de encaixar os pares?
PR LH: Os pares não são obrigatórios, mas é normal haver mais interesse delas do que
deles, pelo que se elas trouxerem par - para as aulas - é mais provável que
consigam vaga na turma. Para eles costuma ser mais fácil. A dança, como
outras danças sociais, não se aprende com um par fixo. Nas aulas vai-se rodando
de par, para todos aprenderem a se adaptar ao outro, porque cada um dança de
uma forma ligeiramente diferente e é importante estarmos com atenção ao
par. E porque, quando a atenção ao outro está mais interiorizada e os
passos já são naturais, deixa de haver uma grande definição de leader (papel reservado ao homem) e follower (mulher), passando ambos a
poder sugerir o que fazer a seguir, em plena dança.
JB: Com o ritmo acelerado que se vive na cidade, consideram que esta é uma boa
opção para “quebrar a rotina”, conviver e recuperar energias?
PR LH: Certamente. Permite queimar imensas calorias - há aulas que parecem sessões de
ginásio intensivo! - e divertir-se imenso. No final estamos todos exaustos mas
com um enorme sorriso. E é isso que nos faz voltar.
JB: Até agora, quantos já dançaram ao ritmo dos Lindy Hoopers?
PR LH: Penso que para cima de 100 no Porto, talvez 50 em Lisboa.
JB: Há já actividades agendadas para os próximos tempos? Onde e quando?
PR LH: Em Lisboa só temos feito práticas no Verão. Talvez se faça uma festa mas ainda
não está marcada. Será anunciada no blog
e no facebook logo que esteja tudo
afinado. No Porto haverá um Exchange
no final de Agosto/início de Setembro - um exchange
é um festival só com festas, sem aulas, onde o convívio ganha mais destaque.
JB: Quem tiver interesse e quiser dar um pezinho de dança convosco, como pode
fazê-lo?
PR LH: Apareça numa das práticas e peça que lhe ensinem uns passos simples. Há sempre
alguém mais avançado que pode ajudar nos primeiros passos. Idealmente
traga um par, para poder ir praticando quando o(a) "professor"(a) for
também ele(a) praticar... :)
Se tiver, depois, interesse em aprender a sério, esteja atento ao blog. Durante este mês ou talvez no
início de Setembro serão anunciados os horários para o novo ano.
O Bold de hoje tinha que ser dedicado às tecnologias, mais precisamente a esta coisa que nos segue e persegue, que nos distrai e consome: o telemóvel.
É incrível a dependência que o homem moderno tem face a este aparelho: estamos em casa e estamos com ele, saímos de casa e lá vem ele. Acompanha-nos em rotinas e se por alguma razão nos falta há dor de cabeça para o dia inteiro.
Dão-nos imenso jeito, é verdade. Mas porque será que há uma década atrás fazíamos tudo como manda a regra sem ter que dar justificações ao amigo iphone e afins?
Que saudades do tempo em que os únicos telemóveis que havia se apelidavam de "tijolos" e as mensagens eram enviadas quando o rei fazia anos!
Gosto muito de poder estar sempre contactável, de chatear toda a gente com mensagens e organizar jantares e cafés com os de sempre mas... "E se desligássemos o telemóvel?" O meu pai, pelo menos, agradecia.
Troquei de vida. Não, não fui para fora e arranjei casamento. Comecei a tratar do colesterol e de mim, claro.
Funciono por "cliques" (ou "patchás", para outras "áreas" que não são agora para aqui chamadas): um dia acordo, sinto que tenho que fazer algo a mais, penso (pouco) e em meio minuto (minuto e meio para assuntos mais sérios) decido et voilá: faço!
O último clique foi um clique saudável, costumo ter cliques comerciais (os que me fazem ir às compras porque sim), cliques devoradores (os que me fazem comer alheiras ou ir à máquina dos chocolates comprar snickers), cliques criativos (espero estar a ter um desses agora) e outros tantos cliques que, até ver, não consigo controlar e/ou resistir. Mas, não me querendo perder em cliques, o último foi, tcharann: ir para o ginásio!
Sim, a última vez durou um mês, eu sei. Talvez por isso não tenha escrito nada ainda sobre o assunto, quis deixar passar o tempo de segurança, "um mês", não fosse a pancada passar-me rápido e o post ficar desactualizado num ápice. Mas a coisa até tem estado a correr bem... Depois do trabalho, 3 vezes por semana, rumo ao templo "missão cumprida". Lá se faz o habitual, máquinas, cardio, umas aulas de vez em quando (muito de vez em quando já que me sinto a pessoa mais desorientada do mundo de cada vez que entro numa aula de grupo: "Direita", diz ela, e é certinho como amanhã ser sexta que hei-de ir para a esquerda) e, no fim, a "sobremesa": SPA com tudo a que tenho direito (ou quase tudo já que as massagens não fazem parte do pacote): jacuzzi, banho turco, sauna, pedras quentes, camas de água... Enfim, uma canseira...!
E a verdade é que tenho andado entusiasmada, talvez porque sei que depois de me esforçar tenho a recompensa à espera. Se assim for, não é mau de todo... Consigo aguentar-me nesta vidinha por uns bons tempos. Mas o extraordinário é que tenho mesmo sentido necessidade de fazer exercício, de estar em forma e deitar fora o "lixo acumulado" (seja ele físico ou psicológico).
E já que é de exercício que hoje falo, não posso deixar de partilhar convosco um projecto que para mim faz todo o sentido e tem muito mérito. Chama-se "Milimétrico", foi criado por um amigo meu e define-se por ser "uma tentativa de ajudar as pessoas a manterem-se em forma, a fazerem desporto, a serem felizes" (aulas de Grupo, Aulas em Casa, Bootcamps, CrossFit, Taekwondo, Ginásio, Personal Training).
Poderia ser eu a explicar-vos mas, repete-se a chave publicitária, "não seria a mesma coisa".
Passo grande parte do tempo
sozinha. Ora a caminho do trabalho, em transportes públicos daqui para ali, ora
em passeios pela capital e às vezes nas refeições. A companhia falta porque uns
não podem, outros porque não estão para aí virados…
O que para muitos soa a estranho
- "O quê? Almoçar sozinho, nem pensar! Tenho que ter alguém à frente a
ver-me comer, pode não falar mas tem que mastigar à minha frente" - para
mim soa a "humm, maravilha!". Não, não sou anti-social, muito pelo
contrário. Tenho amigos e conhecidos suficientes para almoçar durante uns bons
meses sem almoçar comigo mesma ou para me acompanharem nas idas repentinas até
ao centro comercial. Mas a verdade é que andamos sempre em rotinas ligeiras, com
ritmos diferentes e com vontades ao sabor do vento - ontem apeteceu hoje já
não apetece.
E nos meus momentos “a sós comigo
mesma” (e sim, já escrevi sobre isto) adoro observar quem chega e quem passa,
quem se senta ao meu lado no comboio e traz consigo bilhetes à antiga (“Sinto o
que há muito não sentia. Não deixes que o sentimento mude. Gosto de ti. Daqui
até Cacilhas. – sim, a moça lia à socapa o bilhetinho do novo amor enquanto eu
deitava o olho e morria de inveja), gosto de dar o lugar à Maria que vem com o
avô de braço dado fazendo birra e no fim da viagem me acena com um sorriso,
gosto de ouvir o senhor com os seus 70 e muitos anos refilar do que esta mal no
país, da responsabilidade dos jovens em segurar as rédeas. Gosto de sair de
casa e sentir-me acompanhada por toda a gente que me rodeia. Gosto de pôr a
leitura em dia e organizar a agenda. Gosto de ir para onde quero, quando quero
(e não, isto não é publicidade gratuita à outra miúda, a “Miúda”). Gosto.
Se me enfiasse num carro, no trânsito
caótico da capital, se fosse a conversar com este e aquele, certamente não
iria estar atenta aos pormenores à minha volta… Certamente que a Maria iria
passar ao meu lado e eu não iria sequer reparar que estava com birra e se
queria sentar. Certamente não notaria que ao meu lado viajava uma apaixonada ou
uma mulher por quem alguém se apaixonou. Certamente não iria ouvir os desabafos
do senhor de 70 anos.
E por estas razões (julguem as vossas
e acrescentem à lista), desde sempre me habituei a não deixar de fazer nada
por não ter companhia.
É este cruzar de vidas, de
banalidades, de rotinas, que não me deixa sentir mal por estar sozinha.
Depois disto, não se sintam
intimidados e convidem-me para almoçar ou passear quando quiserem. Organizo-me
comigo noutra altura…